Poemas traduzidos do 11
2013
O futuro é escasso. Da minha Própria vida sou espectador. Os dias passados estilhaçam-se Como um esvoaçar de pétalas num jardim.
» continue readingO futuro é escasso. Da minha Própria vida sou espectador. Os dias passados estilhaçam-se Como um esvoaçar de pétalas num jardim.
» continue readingAinda longos os dias, subi à montanha Para colher flores raras. Ao voltar, Neblinas frias apagam as cores do vale. O ar congela tons de amarelo nos ramos. A inesperada beleza do Outono espalha-se. Trago nos bolsos pétalas murchas.
» continue reading(Os Objectos Familiares, Magritte, 1928) Todas as manhãs arrancamo-nos do sono e atiramo-nos, hesitantes, para a realidade vigil. Se o sono é um retomar das condições pré-natais, o acordar, tal como o nascimento, reproduz por instantes a neotenia com que vimos ao mundo, a imaturidade e impreparação com que abandonámos a primeira posição fetal. Um [...]
» continue readingSomos o sedimento deixado em nós pelos lutos, pelos remorsos, pelas recordações, projectos falhados, sucessos e insucessos, tudo isso que deixa marcas e opera metamorfoses. Somos um palimpsesto vivo onde alfabetos e signos perdidos gravaram narrativas por descobrir. Há povos onde as pessoas tatuam ritualmente no corpo as imagens e os símbolos da sua mitologia, [...]
» continue readingOs humanos são estranhos uns para os outros e, no entanto, familiares. Algo que estava latente, dentro, manifesta-se agora como coisa estranha vinda de fora. Começam por não se reconhecer nesses sinais ou na diversidade com que se defrontam, e no entanto isso tem ecos dentro deles que promovem uma integração, uma digestão nem sempre [...]
» continue readingVelho agora, os meus anos não reverdecem. No recanto do bosque envolve-me Um ar de cristal, um mausoléu dourado, Ou flores e folhas de cores quentes. Constante, um regato canta entre rochas.
» continue readingO vendaval despoja as árvores, O mar destrói o cais. Vulnerável a cidade, pequenos os homens. A gota de sangue caída no mar dilui-se logo.
» continue readingSegregamos pensamentos como as glândulas endócrinas segregam hormonas. O pensamento tem um modelo biológico, ele é corporal antes de ser outra coisa qualquer. O corpo faz-se pensamento e o pensamento faz-se corpo. De um modo muito concreto, não místico, o corpo faz-se verbo e o verbo faz-se carne. O nome de uma pessoa torna-se consubstancial [...]
» continue readingNum mundo respeitador dos símbolos que o estruturavam, a morte era um acontecimento integrado, portador de significado. Agora, des-significada, a morte hospitalizada, clínica e asséptica retira o corpo moribundo do todo de que ele fazia parte, subtrai-o às manipulações simbólicas impondo-lhe manipulações técnico-sanitárias que, com isso, escancaram ainda mais o horror do cadáver e da [...]
» continue readingRubrica “Como eu escrevo” – Time Out (09/05/2012) Durante muito tempo, intoxicado pela mais nobre tradição literária, acreditei que um livro se escreve com inspiração, que seria o ingrediente especial. Isto vem desde Demócrito e Platão, que diziam que o artista é um veículo entre os mortais e a esfera divina. Entidades sobrenaturais murmuravam coisas [...]
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