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	<title>Vasco Luís Curado - Site Oficial</title>
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		<title>Poemas traduzidos do 11</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Apr 2013 23:16:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[O futuro é escasso. Da minha Própria vida sou espectador. Os dias passados estilhaçam-se Como um esvoaçar de pétalas num jardim.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O futuro é escasso. Da minha</strong></p>
<p><strong>Própria vida sou espectador.</strong></p>
<p><strong>Os dias passados estilhaçam-se</strong></p>
<p><strong>Como um esvoaçar de pétalas num jardim.</strong></p>
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		<title>Poemas traduzidos do chinês 10</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Apr 2013 23:15:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda longos os dias, subi à montanha Para colher flores raras. Ao voltar, Neblinas frias apagam as cores do vale. O ar congela tons de amarelo nos ramos. A inesperada beleza do Outono espalha-se. Trago nos bolsos pétalas murchas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ainda longos os dias, subi à montanha</strong></p>
<p><strong>Para colher flores raras. Ao voltar,</strong></p>
<p><strong>Neblinas frias apagam as cores do vale.</strong></p>
<p><strong>O ar congela tons de amarelo nos ramos.</strong></p>
<p><strong>A inesperada beleza do Outono espalha-se.</strong></p>
<p><strong>Trago nos bolsos pétalas murchas.</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sono-vigília 1</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Feb 2013 21:34:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[(Os Objectos Familiares, Magritte, 1928) Todas as manhãs arrancamo-nos do sono e atiramo-nos, hesitantes, para a realidade vigil. Se o sono é um retomar das condições pré-natais, o acordar, tal como o nascimento, reproduz por instantes a neotenia com que vimos ao mundo, a imaturidade e impreparação com que abandonámos a primeira posição fetal. Um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.vascoluiscurado.com/wp-content/uploads/2013/02/magritte-familiar_objects.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-688" title="magritte-familiar_objects" src="http://www.vascoluiscurado.com/wp-content/uploads/2013/02/magritte-familiar_objects-300x209.jpg" alt="" width="300" height="209" /></a></strong></p>
<p><strong>(<em>Os Objectos Familiares</em>, Magritte, 1928)</strong></p>
<p><strong>Todas as manhãs arrancamo-nos do sono e atiramo-nos, hesitantes, para a realidade vigil. Se o sono é um retomar das condições pré-natais, o acordar, tal como o nascimento, reproduz por instantes a neotenia com que vimos ao mundo, a imaturidade e impreparação com que abandonámos a primeira posição fetal.</strong></p>
<p><strong>Um estilhaçar aparatoso do mecanismo do sono, ou um deslizar para fora do casulo de sonhos, um arremessar-se bípede e vertical, ainda que estremunhado, para mais um episódio vigilante, eis a experiência de todos os dias, o recomeço quotidiano.</strong></p>
<p><strong>O sono e a vigília chegam a parecer compartimentados separados de modo estanque. Para passar da vigília ao sono é preciso algum cansaço ou estar distraído – ou pelo menos dispormo-nos a sermos passivos, abandonarmo-nos à vaga latente que nos transportará, como uma gôndola, pelo lodo escuro de uma Veneza imaginária. Enquanto que para sair do sono e aceder à vigília é necessária uma ruptura, uma certa disciplina auto-imposta.</strong></p>
<p><strong>Dois compartimentos estanques, o sono e a vigília, cujas paredes e fronteiras vigiamos atentamente. Mas por vezes transformam-se em dois pólos de um <em>continuum</em> movediço, uma gradação que não revela as suas etapas intermédias. Não há um ponto separado dos outros em que possamos dizer: “Começou agora o estado de sono.” Nem podemos dizer com toda a certeza: “Agora acabou a vigília.”</strong></p>
<p><strong>Combatemo-nos a nós mesmos, fugimos de nós e corremos para nós, da vigília para o sono e do sono para a vigília, as duas metades que se repelem e ao mesmo tempo se fundem e confundem. Debatemo-nos numa insónia, a desejar resvalar para o sono e diluir a vigilância rigorosa no sono, e acontece sonhar que estamos acordados a tentar dormir. O sono, hábil trapaceiro, mascara-se de vigília para nos surpreender, para não o rechaçarmos. A hiper-vigilância é tão aguda que continua em sonhos, tornada inoperante e indefesa apesar da ilusão de persistir.</strong></p>
<p><strong>Entramos nos domínios do sono sem nos apercebermos, sem detectarmos uma fronteira, um limite diferenciador. Quando preparamos o despertador para tocar a uma determinada hora, estamos a arranjar uma armadilha de caçador contra o sono, contra essa metade de nós que avança e em breve vai tomar o controlo. Antes que ela chegue, prevenimo-nos, premeditamos o seu assassinato, programamos a sua interrupção. Mas também o sono tem engenho de caçador: faz-nos sonhar que estamos acordados e a preparar o despertador, para assim continuarmos a dormir julgando que este vai tocar e acordar-nos. É relativamente frequente o despertador tocar e o sonhador sonhar que está a acordar e a levantar-se, a desligar o despertador, a começar mais um dia vigil. O despertador continua a tocar realmente, perplexo, e o sonhador fabrica repetidamente sonhos em que está a acordar e a desligá-lo, até que a armadilha onírica falha e se desvanece – e está acordado, consciente de o estar, reunidas as forças de caçador que se endireita na trincheira que cavou no fundo da floresta, onde espera o animal selvagem que há-de voltar e que prepara também o seu instinto predatório.</strong></p>
<p><strong>Caçador e presa simultâneos, intermutáveis, persistimos nesta infindável alternância hipno-vigil, estudando-nos nesses pólos mutuamente diferenciados e confundidos, num ritual centrado em si mesmo, num jogo que eternamente se examina, se destrói e se reconstrói.</strong></p>
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		<title>Corpo enigmático 1</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jan 2013 23:51:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Somos o sedimento deixado em nós pelos lutos, pelos remorsos, pelas recordações, projectos falhados, sucessos e insucessos, tudo isso que deixa marcas e opera metamorfoses. Somos um palimpsesto vivo onde alfabetos e signos perdidos gravaram narrativas por descobrir. Há povos onde as pessoas tatuam ritualmente no corpo as imagens e os símbolos da sua mitologia, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.vascoluiscurado.com/wp-content/uploads/2013/01/Édipo-e-a-Esfinge4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-680" title="Édipo e a Esfinge" src="http://www.vascoluiscurado.com/wp-content/uploads/2013/01/Édipo-e-a-Esfinge4.jpg" alt="" width="199" height="200" /></a></strong></p>
<p><strong>Somos o sedimento deixado em nós pelos lutos, pelos remorsos, pelas recordações, projectos falhados, sucessos e insucessos, tudo isso que deixa marcas e opera metamorfoses. Somos um palimpsesto vivo onde alfabetos e signos perdidos gravaram narrativas por descobrir.</strong></p>
<p><strong>Há povos onde as pessoas tatuam ritualmente no corpo as imagens e os símbolos da sua mitologia, condensando aí, como num tratado, o essencial da sua cultura. O seu corpo transforma-se numa epifania. O mesmo se passa connosco. A nossa cultura, a nossa história, os eventos da nossa vida, os sonhos e as palavras, fazem-se-nos carne.</strong></p>
<p><strong>Na carne e no corpo trazemos gravados, esculpidos, redigidos numa linguagem hieroglífica, aquilo que só um outro Champollion poderia decifrar.</strong></p>
<p><strong>Tornamo-nos uma peça de museu, obra exposta na vitrina para o nosso olhar perplexo e narcisista, mumificados perante nós próprios com a mesma pose hierática de um faraó milenar.</strong></p>
<p><strong>A linguagem verbal, abstracta, deriva desse palimpsesto hieroglífico corporal. Emerge daí como de uma matriz. A linguagem verbal é a manifestação maior do corpo enigmático e do enigma corporal. As palavras visam significar e re-significar o corpo que as originou. As palavras, que são primordialmente acontecimentos corporais, formulam uma e outra vez enigmas sobre estes e sobre o falante; propõem soluções nunca satisfatórias, sempre intrigantes e instigadoras de novos enigmas.</strong></p>
<p><strong>O corpo é criador e criatura, escriba e tábua de argila, eterno intérprete das suas própria elocubrações, charadas e enigmas. Como Édipo, decifrador dos enigmas da Esfinge, somos levados a enfrentar o maior enigma, que é o nosso próprio, das nossas origens e percurso, desafio a que tentamos resistir enquanto podemos mas para onde nos precipitamos inexoravelmente, até à solução libertadora, até à revelação final onde tudo estará consumado</strong></p>
<p><strong>O desenrolar de uma vida é essa resistência à decifração do seu próprio enigma.</strong></p>
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		<title>Autofagia</title>
		<link>http://www.vascoluiscurado.com/blog/2012/12/10/autofagia/</link>
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		<pubDate>Mon, 10 Dec 2012 20:13:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Os humanos são estranhos uns para os outros e, no entanto, familiares. Algo que estava latente, dentro, manifesta-se agora como coisa estranha vinda de fora. Começam por não se reconhecer nesses sinais ou na diversidade com que se defrontam, e no entanto isso tem ecos dentro deles que promovem uma integração, uma digestão nem sempre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.vascoluiscurado.com/wp-content/uploads/2012/12/Ouroboros.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-668" title="Ouroboros" src="http://www.vascoluiscurado.com/wp-content/uploads/2012/12/Ouroboros-298x300.jpg" alt="" width="298" height="300" /></a>Os humanos são estranhos uns para os outros e, no entanto, familiares. Algo que estava latente, dentro, manifesta-se agora como coisa estranha vinda de fora. Começam por não se reconhecer nesses sinais ou na diversidade com que se defrontam, e no entanto isso tem ecos dentro deles que promovem uma integração, uma digestão nem sempre fácil.</strong></p>
<p><strong>Assim como a digestão transforma o alimento que pode ser absorvido e tornado substância nossa, aqui trata-se de digerir algo que já é nosso, já faz parte da nossa substância mas é como se não fizesse. O conhecimento é canibal e o auto-conhecimento é auto-fágico.</strong></p>
<p><strong>Absorvemos o que é nosso para o tornar nosso. Tornamo-nos nisso que já somos, que parece estranho mas é familiar, que nos parece alheio e todavia nos é próprio.</strong></p>
<p><strong>Há uma curiosidade natural e uma resistência ao exame, à análise, ao conhecimento em geral. E há uma resistência ainda maior ao momento <em>auto</em> dessas actividades: auto-exame, auto-análise, autoconhecimento.</strong></p>
<p><strong>Na putrefacção, o estômago do cadáver auto-digere-se. O autoconhecimento é ainda um trabalho da morte. Conhecemo-nos e com isso decompomo-nos; examinamo-nos e com isso observamos a nossa própria putrefacção. O autoconhecimento é autópsia (de <em>autopsía</em>, “ver com os próprios olhos”, em grego). </strong><strong>Autópsia <em>in</em> <em>vivo</em>.</strong></p>
<p><strong>O conhecimento e o autoconhecimento são, assim, subsidiários da morte, auxiliares desse processo biológico, físico-químico e metafísico que é a morte. O conhecimento, e a decomposição autopsiada que ele promove, colabora (co-labora) no labor da morte, que o instiga e estimula para os seus fins – literalmente, para o <em>fim</em>.</strong></p>
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		<title>Poemas traduzidos do chinês 9</title>
		<link>http://www.vascoluiscurado.com/blog/2012/11/29/poemas-traduzidos-do-chines-9/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Nov 2012 23:53:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Velho agora, os meus anos não reverdecem. No recanto do bosque envolve-me Um ar de cristal, um mausoléu dourado, Ou flores e folhas de cores quentes. Constante, um regato canta entre rochas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Velho agora, os meus anos não reverdecem.</strong></p>
<p><strong>No recanto do bosque envolve-me</strong></p>
<p><strong>Um ar de cristal, um mausoléu dourado,</strong></p>
<p><strong>Ou flores e folhas de cores quentes.</strong></p>
<p><strong>Constante, um regato canta entre rochas.</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Poemas traduzidos do chinês 8</title>
		<link>http://www.vascoluiscurado.com/blog/2012/11/29/poemas-traduzidos-do-chines-8/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Nov 2012 23:50:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[O vendaval despoja as árvores, O mar destrói o cais. Vulnerável a cidade, pequenos os homens. A gota de sangue caída no mar dilui-se logo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O vendaval despoja as árvores,</strong></p>
<p><strong>O mar destrói o cais.</strong></p>
<p><strong>Vulnerável a cidade, pequenos os homens. </strong></p>
<p><strong>A gota de sangue caída no mar dilui-se logo.</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O pensamento</title>
		<link>http://www.vascoluiscurado.com/blog/2012/10/03/o-pensamento/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Oct 2012 21:40:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Segregamos pensamentos como as glândulas endócrinas segregam hormonas. O pensamento tem um modelo biológico, ele é corporal antes de ser outra coisa qualquer. O corpo faz-se pensamento e o pensamento faz-se corpo. De um modo muito concreto, não místico, o corpo faz-se verbo e o verbo faz-se carne. O nome de uma pessoa torna-se consubstancial [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Segregamos pensamentos como as glândulas endócrinas segregam hormonas. O pensamento tem um modelo biológico, ele é corporal antes de ser outra coisa qualquer. O corpo faz-se pensamento e o pensamento faz-se corpo. De um modo muito concreto, não místico, o corpo faz-se verbo e o verbo faz-se carne. O nome de uma pessoa torna-se consubstancial à sua identidade corpórea. A fala, acto eminentemente corporal, age como um membro, explora o ambiente como uma mão ou o olfacto.</strong></p>
<p><strong>As palavras, pelas associações profundas que tecem, pela sua remota origem cinestésico-corporal, segregam substâncias como um órgão visceral. Elas são ecos de acontecimentos orgânicos e viscerais. As palavras, não apenas pelo suporte físico da fala mas no seu significado interpretativo, são emanações do corpo. A plasticidade das palavras é expressão da autoplastia do corpo.</strong></p>
<p><strong>O pensamento verbal é ainda o corpo a pensar-se, a representar-se. Da matéria fisiológica ao código verbal abstracto, não saímos do corpo.</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A violência fundadora 2</title>
		<link>http://www.vascoluiscurado.com/blog/2012/06/06/a-violencia-fundadora-2/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Jun 2012 22:25:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Num mundo respeitador dos símbolos que o estruturavam, a morte era um acontecimento integrado, portador de significado. Agora, des-significada, a morte hospitalizada, clínica e asséptica retira o corpo moribundo do todo de que ele fazia parte, subtrai-o às manipulações simbólicas impondo-lhe manipulações técnico-sanitárias que, com isso, escancaram ainda mais o horror do cadáver e da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.vascoluiscurado.com/wp-content/uploads/2012/06/1159169.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-652" title="1159169" src="http://www.vascoluiscurado.com/wp-content/uploads/2012/06/1159169-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a></strong></p>
<p><strong>Num mundo respeitador dos símbolos que o estruturavam, a morte era um acontecimento integrado, portador de significado. Agora, des-significada, a morte hospitalizada, clínica e asséptica retira o corpo moribundo do todo de que ele fazia parte, subtrai-o às manipulações simbólicas impondo-lhe manipulações técnico-sanitárias que, com isso, escancaram ainda mais o horror do cadáver e da decomposição.</strong></p>
<p><strong>O móbil do progresso, que era anular ou diminuir o horror da morte, agravou o problema que se propunha resolver.</strong></p>
<p><strong><span id="more-651"></span>A violência fundadora da cultura humana residia na morte precoce, nas devastações da Natureza, na escassez da caça ou da colheita, nos ataques das feras, na noite sem Lua, sem estrelas e sem o fogo, na nudez dos primeiros homens desmunidos e desarmados – em todas as formas informes do desconhecido.</strong></p>
<p><strong>Esta violência originária e original inspirou os mitos e os deuses arcaicos.</strong></p>
<p><strong>A violência dos humanos residia principalmente no imaginário que tentava integrar, e influenciar, os dados brutais da Natureza e da realidade material do mundo. Esse imaginário violentado e violento engendrou guerras, conquistas, vinganças, saques, chacinas, a ambição não reprimida ainda por normas universais do que é política e socialmente recomendável.</strong></p>
<p><strong>A normalização colectiva é uma violência nova que combate incansavelmente essa violência primordial e genética das origens. Para nos mantermos civilizados, colaborantes e beneficiários do mundo seguro actual, imagine-se a dimensão da violência necessária para reprimir aquela violência pulsional básica.</strong></p>
<p><strong>Desse duelo mutuamente neutralizador resultam <em>sintomas</em> ou <em>sinais</em>: os modos de fuga ou desafio à normalização colectiva que, atenuados, distorcidos, disfarçados, escaparam à completa sufocação. São, por exemplo, os actos de alguns criminosos, ou as criações de alguns loucos e de alguns artistas, essas formas onde ainda podemos surpreender vestígios da antiga violência fracturante e reestruturante. Na medida em que desafiam o consenso normalizado, o criminoso, o louco e o artista são classificados como ilegais, doentes ou tolhidos na esfera da fantasia artística socializada.</strong></p>
<p><strong>Receamos as mudanças catastróficas ambientais (erupções vulcânicas, choques de meteoros, movimentos de placas tectónicas, tempestades), mas esquecemos que são esses movimentos, para nós gigantescos, que fazem e refazem o mundo. Catástrofes como essas levaram à extinção de selvas e criaram savanas onde símios puderam evoluir para seres humanos.</strong></p>
<p><strong>Somos o resultado de cataclismos geológicos e climáticos, de ciclos de glaciações, degelos e extinções em massa. Somos filhos da catástrofe, gerados catastroficamente, somos o resultado provisório de apocalipses microscópicos e macroscópicos. A sensação de permanência é uma ilusão necessária, um intervalo de tempo calmo confundido com a eternidade.</strong></p>
<p><strong>Na etimologia da palavra <em>catástrofe</em> está “mudança de sentido, desenlace, solução”. Suprimimos as mudanças catastróficas da esfera das nossas vidas, recusamos os sentidos novos que essas mudanças apontam, e assim, sem desenlace do marasmo, sem solução do impasse, decorrem as nossas existências rotineiras, estéreis – embaladas na crença da segurança.</strong></p>
<p><strong>A desvitalização da violência fundadora faz perder a substância pulsional activa dos humanos. Gera o vazio existencial em que os indivíduos soçobram, e que as sociedades disfarçam mal com os seus artifícios superficiais.</strong></p>
<p><strong>Quisemos suprimir a violência, nosso património essencial, legado genético fundamental. Estamos a tornar-nos formas vazias, figuras virtuais sem substância que se movem num simulacro do mundo.</strong></p>
<p><strong>Há pessoas que não se deixam transformar pelos acontecimentos: aniversários, filhos, trabalho, relações, mortes, lutos, casamentos, separações. Tentam atravessar incólumes todas essas experiências, como se estas não as devessem transformar.</strong></p>
<p><strong>Como na Natureza, também entre nós a mudança catastrófica encerra possibilidades regenerativas, põe em marcha uma nova linha de desenvolvimento. Mas quantas vezes as pessoas recusam os sentidos novos que lhes são abertos brutalmente. E quantas vezes essa recusa se exprime no sofrimento mental e físico, que eterniza a condição larvar, usando a plasticidade do corpo e do sonho, a linguagem cifrada do desejo e do conflito. Surpreendemos aí os vestígios de metamorfoses que ficaram por fazer ou que estão iminentes.</strong></p>
<p><strong>Mudanças, crises, evoluções, agem sobre nós como o fogo consolida a forma do barro. </strong></p>
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		<title>Como eu escrevo</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 18:54:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Rubrica &#8220;Como eu escrevo&#8221; &#8211; Time Out (09/05/2012) Durante muito tempo, intoxicado pela mais nobre tradição literária, acreditei que um livro se escreve com inspiração, que seria o ingrediente especial. Isto vem desde Demócrito e Platão, que diziam que o artista é um veículo entre os mortais e a esfera divina. Entidades sobrenaturais murmuravam coisas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Rubrica &#8220;Como eu escrevo&#8221; &#8211; Time Out (09/05/2012)</strong></p>
<p><strong>Durante muito tempo, intoxicado pela mais nobre tradição literária, acreditei que um livro se escreve com inspiração, que seria o ingrediente especial. Isto vem desde Demócrito e Platão, que diziam que o artista é um veículo entre os mortais e a esfera divina. Entidades sobrenaturais murmuravam coisas inauditas ao ouvido do escritor: <em>Agora tu, Calíope, me ensina o que contou ao Rei o ilustre Gama&#8230; Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, tão funesta para os guerreiros gregos&#8230;</em> Como se não tivessem sido Camões e Homero a fazer tudo. A inspiração não passa de uma fantasia que visa enobrecer a tarefa do artista. O ferreiro malha o ferro; o atleta corre, nada, lança o dardo; o cavador de batatas expõe-se à chuva e ao sol e debruça-se sobre a terra; o artista, esse, entra em transe e comunica com as esferas celestes.</strong></p>
<p><strong>Acredito numa qualidade ilusória da arte em geral e da literatura em particular, no sentido em que o escritor engana o leitor, esconde o jogo, é calculista. A obra é uma coisa fabricada, o que não lhe retira interesse e importância. É também por essa razão que as personagens não adquirem vida própria a meio da redacção do romance, nem desatam a fazer caretas e manguitos reivindicando a liberdade de viver uma vida que, afinal, não pode existir fora das palavras que as compõem. A ideia da rebelião das personagens contra o seu criador é outra fantasia de escritores que querem dar mais importância às personagens e, logo, a si próprios. As personagens são controladas pelo autor, mesmo quando aparentam desobedecer-lhe.</strong></p>
<p><strong>Assim, o meu método, se o tenho, consiste em redigir notas, frases, expressões, cenas, de um modo heterogéneo. A acumulação de material diverso pode durar anos, até achar que é suficiente. Num segundo momento, dou unidade a um material que era fragmentado. Tento disfarçar as costuras, como um agente funerário que compõe o cadáver (o livro) para o apresentar aos familiares (os leitores) que o vão velar (ler). Depois, num terceiro momento, corto, risco, mudo coisas de lugar, usando uma caneta vermelha cujo manejo exige tanto esforço intelectual como muscular (ver mais acima a enxada do cavador, o martelo do ferreiro, o dardo do lançador). A revisão e a correcção devem ser implacáveis, mas sem chegar a destruir a unidade que eu tinha procurado impor aos fragmentos iniciais. O livro está concluído quando a sua unidade sobrevive a esta ameaça de regressar à fragmentação que lhe deu origem.</strong></p>
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